2013-06-10

Conheça Giselle e Brigitte Montfort

Os “baby-boomers” não carecem de apresentação, mas as gerações X, Y e Z certamente não se arrependerão de conhecer estas duas personagens: Giselle, a espiã nua que abalou Paris e Brigitte, a filha de Giselle, também conhecida como a agente "Baby" da CIA.

Giselle:                                                                                                                 Brigitte:

Brigitte foi, e para muitos ainda é, a personagem mais apaixonante no mundo dos agentes secretos na opinião de milhares de leitores que devoravam suas aventuras a partir dos anos 60. Suas estórias foram contadas em aproximadamente 500 bolsilivros que a caracterizaram como a mais eficiente agente secreta de todos os tempos. Todavia, havia um segundo motivo, talvez até mais forte que as estórias, para toda essa paixão: as capas desses livrinhos sempre detalhavam sua beleza e feições absolutamente desejáveis, muitas vezes em poses sensuais e vestimentas íntimas. Numa época em que toda nudez era castigada, principalmente pela ditadura, aquilo era um colírio para os olhos de muitos marmanjos que acabaram desenvolvendo interesse pela leitura por julgarem o livro pela capa.

Os bolsilivros de Brigitte foram publicados durante três décadas no Brasil e grande parte da coleção também foi publicada na Espanha e em Portugal. Com exceção da introdução da primeira aventura de Brigitte que foi traduzida para o inglês por um entusiasta australiano, não se tem notícias que esses livros tenham sido disponibilizados em outro idioma que não seja o português e espanhol. Um dos objetivos deste blog, portanto, é divulgar as duas personagens pelo menos em inglês e quem sabe alguém se disponha a fazê-lo também em francês – e nesse caso as portas do blog estão, desde já, escancaradas.

Uma nova aventura de Brigitte era publicada a cada quinzena e o sucesso no Brasil foi tanto que muitas edições tiveram uma tiragem de 250.000 cópias. Apesar de sua estonteante beleza, Brigitte tornou-se a principal agente da CIA por méritos próprios: milionária, poliglota, com uma inteligência notável, sabia se disfarçar como ninguém, atirar com precisão e pilotar aviões, helicópteros ou qualquer outro tipo de veículo, mesmo aqueles fabricados atrás da cortina de ferro.

E sua mãe? Devia ser tão “foderosa” quanto, não?

Bem, Giselle era o oposto: não sabia como manusear uma arma e muito menos lutar artes marciais. Sua única arma era seu próprio corpo e ela não hesitava em usá-lo se esse fosse o caminho que a levasse a descobrir segredos dos nazistas, que durante a Segunda Guerra Mundial ocuparam seu país natal, a França. Sua estória, narrada nos primeiros quatro livros da coleção, incluía um alto índice de apelo sexual que representava um dos principais motivos para tanto sucesso num país e numa época em que ler era quase um privilégio. Outra razão, não menos importante, foi a divulgação pelos editores de que tratava-se de uma narrativa real que constava no diário de uma pessoa que era membro da Resistência Francesa, encontrado na mesma prisão onde sua dona vivera seus últimos dias. Os livros continham título em francês e até o nome do suposto tradutor, mas a imaginação por trás de todo esse bombástico conteúdo era totalmente brasileira.

  

As vendas estouraram. Atingiram um nível tão inesperado que tanto editores quanto distribuidores chegaram à conclusão que aquilo não podia parar. Mas tratava-se do diário de uma maquis fuzilada, isso não podia ser revertido e Giselle tinha que morrer no quarto livro, caso contrário os leitores perceberiam que tudo não passava de um engodo. A solução veio dos editores e não foi menos original: modificou-se o texto do último livro que ainda não havia sido impresso e nele, antes de ser fuzilada, Giselle revela seu maior segredo confessando à sua companheira de cárcere, Gabrièle Ladème, que antes do início dos conflitos ela namorara com um estrategista nazista chamado Fritz Bierrenbach de quem engravidara. Assim que dera a luz a uma menina, o pai a raptara e a enviara para familiares abastados que moravam em Nova Iorque e, portanto, fora da região de um iminente conflito. Conclui-se, dessa forma, que Brigitte tenha nascido no ano de 1938 ou, no máximo, em 1939.

Giselle faleceu na manhã de 15 de Março de 1944 sem ter tido a oportunidade de sequer ter dado uma olhada na sua filha. O nome Brigitte foi escolhido pelo pai que incluindo o sobrenome Montfort, batizou a menina Brigitte Montfort Bierrenbach. Foi esse detalhe que levou a inteligência francesa, anos depois, a descobrir que tratava-se da “filha de Giselle”. Ao contrário do que está divulgado pela internet, Brigitte não é filha de Paul Zingg. Giselle conheceu Zingg durante a ocupação, portanto após a deflagração do conflito. Zingg tornou-se o marido de Giselle e foi o homem a quem ela verdadeiramente amou.

Brigitte conseguiu a cidadania estadunidense quando atingiu a maioridade e formou-se em jornalismo pela Universidade de Columbia. Um dos mais importantes jornais da cidade de Nova Iorque, o “Morning News”, logo contratou a mais brilhante aluna daquela Universidade e é nessa condição que Brigitte estreia sua primeira aventura chamada “A Filha De Giselle No Caso Dos Discos Voadores” na qual ela nunca sequer havia empunhado uma arma.

 

Com esse argumento inicial foi lançada a que provavelmente é a mais extensa e contínua série de livros composta de aproximadamente 500 aventuras do mesmo personagem. Os editores, usando a mesma fórmula de sucesso, passaram a afirmar, então, que Brigitte era tão real quanto Giselle, como pode-se observar no prólogo dessa primeira aventura:

“Antes de Começar

A filha de Giselle, Brigitte Montfort, existe, em alguma parte do mundo, atuando sob outros nomes, em circunstâncias análogas às que são narradas agora neste livro. Sua verdadeira identidade, no entanto, deixa de ser esclarecida, por motivos bem plausíveis do Serviço Secreto.

Nas últimas páginas das memórias de Giselle, A Espiã Nua Que Abalou Paris, fica bem claro que a famosa heroína da Resistência Francesa, pouco antes de morrer fuzilada na prisão de Cherche Midi, na manhã de 15 de março de 1944, confessou à sua companheira de cárcere, Gabrièle Ladème, haver dado à luz uma filha, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. O pai da criança — explicou Giselle — fora um alemão que a abandonara grávida, mas lhe raptara a menina logo ao nascer.

A famosa espiã morreu sem conhecer a própria filha, sem sequer saber do seu nome ou do seu paradeiro. Vinte anos depois, esta incógnita é revelada. A filha de Giselle surge nos Estados Unidos, bonita, elegante, corajosa e...

Bem, é melhor começar a ler a história.”


Fontes:
Digitalizações de posters: www.benicioilustrador.com.br/
Digitalizações de capas de livros: Acervo próprio
Foto: Membros dos Maquis em La Tresorerie (Domínio Público)




9 comments:

  1. Caro Startlet

    Meus sinceros parabéns por este blog. Certamente irei acompanhar e aprender um pouco mais destas fascinantes historias da Giselle e Brigitte contigo.

    Sds bibliofilas

    Stanilaws Booker

    PS - Obrigado por citar o byblyomania partindo de um especialista em Montfords muito me elogiou

    http://blibiomania.blogspot.com.br

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  2. Caro Startlet

    Recebi esta pergunta no byblyomania, e acredito que voce saiba explicar a razão da falta deste numeros na lista que o Lou Carrigan me enviou.

    _____________________
    Notei que na sequência dos livros, está faltando (Série Vermelha) numeros - 13-14-16-17-18 e 23-24-25-26-27-28-29-30-31. Este números tiveram publicações, ou a numeração ficou assim mesmo.

    sbellebone@hotmail.com

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    Caro Sbellebone

    Quanto a falta destes números. Eu não sei lhe explicar com segurança, mas acredito que deva ter sido escritos por outros escritores. Esta lista na postagem foi enviada pelo Lou Carrigan. E os primeiros numeros também não foram escritos por ele... assim como os da Giselle Montford. Mas vou tentar saber com o Startlet

    http://brigittemontfort.blogspot.com.br/

    que sabe muito sobre a historia desta edições.

    byblyomania@gmail.com

    Saudações byblyofilas

    Stanislaws Booker

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  3. Caro Stanislaws,

    Agradeço pelo contato e por ter redirecionado a pergunta do Sbellebone. Você está absolutamente certo, os números mencionados da Série Vermelha da coleção ZZ7 são publicações que não foram escritas por Lou Carrigan e a maioria não tem Giselle ou Brigitte Montfort como personagem. Eis aqui um pequeno resumo para que o entendimento fique melhor:

    13) O Trono Escarlate, autor John Pearson (John Pearson, também conhecido como Mister Fantasma, é um personagem que aparece em vários livros da coleção ZZ7 e que, além de fazer parte da inteligência britânica, era um "peguete" da Brigitte Montfort antes dela conhecer o Número Um. O livro é narrado em primeira pessoa pelo personagem e o autor real é desconhecido, mas acredita-se que esta é uma das aventuras de Brigitte escritas por Helio do Soveral).
    14) Fogo no Egito, autor John Lack (não é uma aventura da Brigitte Montfort)
    15) Noite Vermelha, autor Leo Mason (não é uma aventura da Brigitte Montfort)
    16) Armadilha da Morte, autor Joe M. Rhodes (não é uma aventura da Brigitte Montfort)
    17) Ladrões de Cérebros, autor John Nebot (não é uma aventura da Brigitte Montfort)
    18) Whisky 33, autor Brigitte Montfort (narrado em primeira pessoa pelo personagem. Provável autor real: Helio do Soveral).
    23) O Preço de Uma Traição, autor O. C. Tavin (não é uma aventura da Brigitte Montfort)
    24) Um Cigarro Terrível, autor Fel Marty ou Felix Martinez Orejón (não é uma aventura da Brigitte Montfort)
    25) O Caso dos Tímpanos Vermelhos, autor Uriah Moltan (não é uma aventura da Bigitte Montfort)
    26) O Homem que Fazia Diamantes, autor Charles Innes (não é uma aventura da Brigitte Montfort)
    27) Anatomia de um Atentado, autor Fox Duffi (não é uma aventura da Brigitte Montfort)
    28) Embriaguez de Sangue, autor Tom Argo (não é uma aventura da Brigitte Montfort)
    29) Mister Fantasma em Ação, autor Anthony G. Murphy (neste livro aparece o mesmo John Pearson do livro 13, mas não é uma aventura da Brigitte Montfort)
    30) Outra Vez Mister Fantasma, autor Lewis Haroc (idem ao livro 29)
    31) Brigitte Montfort Contra a Morte, autor John Lack (além de ter escrito o livro 14 como dito acima, John Lack escreveu apenas uma aventura da Brigitte Montfort, que é este livro. Veja mais detalhes na Parte 2 do post denominado Por Trás de Grandes Mulheres Sempre Existem Grandes Homens).

    Vou planejar para fazer um post específico sobre toda a coleção.

    Se tiver mais alguma dúvida, estou à disposição e desculpe-me pela demora na resposta.

    Abraços,

    Startler

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  4. Achei bacana encontrar esse blog. Na minha adolescência li vários desses livros, eu era fã da Baby. Viajei por lugares incríveis através das espetaculares aventuras daquela que foi a maior de tds as espias.

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  7. O que é a mente humana...estou aqui no 1o. dia de 2017 e me perguntam se quero uma cereja na taça de champagne. Para onde a mente disparou, de imediato? Para a mania da Brigitte Montfort, que gostava de cerejas na taça de Don Perignon, rsrs. Aí acheu este blog. Li esses pocket books todos, quando era novo, comprava pelas bancas de revista e sebos da cidade.

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  8. Alguém sabe informar um dos livros da Brigitte que aparece o namorado, mr.Numero 1?

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    1. Caro Abdias, o livro ao qual você se refere é o de nr. 500 com o título "Uma Espiã Para A Eternidade" publicado em 1991. No entanto, cabe ressaltar que a capa desse livro é uma repetição da capa do de nr. 13 da Série Vermelha, cujo título é "O Trono Escarlate" publicado em meados dos anos 1960. Na época em que a capa foi concebida, o personagem que foi originalmente retratado foi John Pearson, agente da inteligência britânica e um "affair" de Brigitte que, naquela época, ainda não havia conhecido Número 1. John Pearson também era conhecido como Mister Fantasma e ele volta a reaparecer nas capas dos livros 29 e 30 da Coleção Vermelha, bem como no livro 13 da Coleção Azul.

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